18 DE MAIO – Dia do beijo

Ela me disse que seria por amor. Depois de 21 anos esperando por esse momento, você cria um pouco de expectativa sobre isso. Tudo bem, MUITA expectativa. E eu esperava que houvesse muito sentimento envolvido. A verdade é que eu nunca quis beijar só pelo prazer de beijar. Eu sabia que não sentiria prazer em beijar alguém se antes eu não nutrisse algum sentimento por essa pessoa. Por isso é que eu sempre achei que seria por amor. Porque eu prometi a mim mesma que nunca beijaria se não houvesse borboletas, arrepios, coração disparado…

Mas não foi por amor. A verdade é que se você só está conversando com a pessoa por duas semanas e só a viu uma vez antes do grande dia, você ainda não tem sentimento nenhum. Talvez você sinta vontade de beijá-la, e te dê arrepios pensar nisso porque, é claro, você é um ser humano como qualquer outro, que tem desejos e tal, mas você ainda não tem um laço com essa pessoa. Não houve tempo para criar nenhum laço.

Mas confesso que eu esperava que isso acontecesse. Num segundo encontro, considerando que nada aconteceu no primeiro, era de se esperar que isso fosse mesmo acontecer. Eu só não esperava que fosse do jeito que foi. O que também não significa que eu esteja arrependida ou que não tenha gostado. Muito pelo contrário.

Eu gostei quando ele me abraçou enquanto andávamos. E gostei que ele puxou meu corpo para bem perto do dele depois de algum tempo. A sensação de estar tão colada assim a ele era muito boa. Mas eu não esperava que ele fosse me beijar na frente de uma árvore em plena Praça do Arsenal, na esquina da Rua Barão Rodrigues Mendes com a Rua da Guia em frente a apenas algumas milhares de pessoas (estou exagerando um pouquinho).

Mas enfim, o que importa é que eu não esperava pelo beijo e, apesar de ter sido bem inesperado, foi um pouquinho do jeito que eu imaginava que seria. Me pegou totalmente desprevenida e me deixou MUITO envergonhada. E ele foi incrível do jeito que eu esperava que ele fosse, porque qual é o homem que segura a sua mão e sente ainda mais vontade de te beijar depois que você admite que nunca tinha feito isso antes? Não muitos… E qual é o homem que insiste em dizer que você beija bem, mesmo você sabendo que não está fazendo nada direito, porque MEU DEUS DO CÉU acho que a minha língua foi abduzida!

Okay, acho que estou entrando em detalhes bem mais íntimos do que eu imaginei quando comecei a escrever esse post. Mas, quem se importa? Só quem lê esse blog sou eu mesmo… E talvez se algum dia o dono do meu coração ler esse post, independente de ser aquele que guardou o meu primeiro beijo ou aquele que guardará o último, ele não deverá se importar que eu tenha escrito o que eu estava sentindo e como foi que aconteceu. Afinal, haverá sempre outro beijo guardado para ele, se assim ele desejar. 🙂

Mas não era isso que eu ia dizer. Eu ia dizer como o nervosismo me impediu de sentir alguma coisa, e esse é um sentimento que você deve evitar se você vai beijar pela primeira ou pela milésima vez. Beijos e nervosismo são duas coisas que não podem andar juntas. Porque o nervosismo elimina qualquer possibilidade de frio na barriga, borboletas no estômago, arrepios na espinha e coração disparado. Então, sinto lhe informar, mas você está beijando no automático. Eu confesso que só beijei porque estava sendo beijada porque, se pudesse evitar, não teria beijado muito durante aquela noite. O nervosismo me fez ficar distante, e eu juro que foi tudo culpa dele.

Na verdade, se alguma coisa me fez sentir borboletas, eu posso descrever aquele abraço. Porque o jeito como as mãos dele deslizavam para cima e para baixo nas minhas costas, e cada beijo que ele deixou enfileirado no meu pescoço, e o jeito como ele gastou todo o perfume que eu havia borrifado ali… E também como ele me apertou contra o corpo dele e eu me senti tão desejada, e como quando ele me pediu que eu o beijasse e eu fiz isso da maneira mais desengonçada do mundo…

Então, tudo bem, eu confesso que não senti nada naquele dia, mas é importante dizer que eu sinto tudo isso hoje. Senti na segunda, relembrando cada momento, senti na terça quando estava estudando nossos movimentos, sinto hoje enquanto desejo fazer tudo isso de novo, e aposto que vou sentir amanhã e depois de amanhã, e depois de depois de amanhã, até o dia em que a gente se encontre de novo e repita cada uma dessas coisas.

E agora o meu medo é que a gente não tenha tempo para repetir a noite de domingo passado. Medo que eu não seja assim tão interessante depois de você ter provado do meu beijo ruim. Medo que você seja diferente do que está se mostrando e, na verdade, só queira de mim algo que eu não posso te dar. Medo que você me ache criança demais para você e que os sete anos de diferença entre nós seja um problema. E eu estou cheia de medos. Mas, eu gosto de você, e talvez se você permitir eu possa fazer esse sentimento crescer e então o beijo que não foi de amor um dia pode ser, e aí quem sabe o que vai acontecer?

mmariah.

ATT:

Acho que eu estava drogada nesse dia. Eu fantasiei MUITO nesse post e, na verdade, não houve NADA de incrível nem heróico em NADA do que aconteceu. Eu era apenas um objeto nos braços da pessoa errada. E cada movimento dele foi pensado e articulado para conseguir aquilo que ele queria. Hoje eu entendo, e hoje eu me odeio por ter pensando em fazer essas coisas de novo. Hoje eu não quero voltar nunca mais naquele endereço.

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