Meu pedido de desculpa

Eu vou tentar ser breve.

Cada um tem o seu jeito de pedir desculpas. Minha cantora preferida escreve músicas, uma amiga diz isso com o olhar, eu escrevo cartas. Nesse caso não poderei escrever cartas porque você não me deu muitas opções, então vou ter que escrever um post explicando o que não tem explicação…

Eu tenho medo de me envolver com as pessoas. Eu sou do tipo de pessoa que se entrega totalmente a amizades e, em alguns casos, a romances – mesmo que eu nunca tenha vivido nenhum, na minha humilde opinião. Então, quando eu te conheci naquele 10 de outubro de 2013 num chat de internet, eu não imaginava que ficaríamos amigos. Não era isso que eu estava planejando. Eu nunca te disse, nem a ninguém, mas eu não entrava naquele bate-papo para treinar meu inglês. Essa era apenas a desculpa que eu usava para entrar lá e procurar alguém para conversar comigo e acalmar meu coração da solidão que eu sinto mesmo estando cercada de pessoas que – eu sei – me amam.

Aí eu encontrei você. Usando uma regata, falando comigo em português, morando em São Francisco e uma história para me contar. Eu não tinha notado a bandeira do Brasil atrás de você até que você me disse que era brasileiro. Lembro do quanto rimos juntos aquela noite… Lembro de você colocar músicas para tocar enquanto conversávamos e o quanto nós dois tínhamos em comum. Você pôs Roupa Nova para tocar em algum momento daquela noite, e eu nunca esqueci porque eu não acreditava que além de todos os gostos em comum você ainda tinha colocado a música certa para tocar. Brinquei que você devia estar lendo um resumo sobre a minha vida em algum lugar, perguntei se você estava lendo o meu blog, e foi a partir dali que você sempre me encheu o saco para que eu te desse o link para você ler o que eu andava falando aqui sobre você. Inocentemente te dei o número do meu celular porque achei que você queria manter contato apenas pelo fato de eu estar cursando fonoaudiologia na UNICAP e você ter passado no vestibular para fonoaudiologia na PUC de Goiás.

No outro dia, 11 de outubro de 2013, uma sexta-feira, você veio falar comigo no whatsapp. Eu lembro de tentar ser fria, e não e dar muita bola, porque eu não queria me apegar a alguém que pudesse me machucar. Mas mandei a foto do post anterior para você quando você me mandou a foto dos seus pés de chinelo no meio de uma de suas aulas. Naquele dia eu também fui à Bienal do livro, no Centro de Convenções, e te mandei uma foto de uma revista que encontrei por lá com Gusttavo Lima na capa, brincando com o fato de que eu tinha te chamado assim enquanto conversávamos à noite.

Com uma semana que eu te conheci, chorei dentro de um ônibus enquanto voltava pra casa. Rezei pedindo a Deus para não me apaixonar por você, para manter você afastado de mim, porque eu não podia suportar viver uma paixão assim. Eu não digo às pessoas que tenho um diário, porque na verdade não é bem isso que aquilo é, mas eu tenho um caderno onde eu escrevo o que estou pensando de vez em quando, tanto faz eu escrever duas vezes na mesma semana como passar um ano sem escrever nele. Ele é só um cantinho de desabafo. Então, enquanto eu chorava no ônibus, escrevi nesse caderno e deixei registrado o quanto eu gostava de você e o quando eu não queria de magoar, porque eu sabia que era isso que eu ia fazer, e por isso rezei e pedi com todas as forças que pude reunir para que ele me ajudasse a ser forte e não deixasse você entrar na minha vida.

Me arrependi dessa oração. Outra semana passou e eu estava cada dia mais ligada a você. Nos falávamos todo dia, o tempo todo. Eu estava tão ligada a você que eu não conseguia mais passar um dia sem te ver, sem falar com você no skype. Você mexeu muito comigo. Um dia, colocou para tocar enquanto conversávamos a música O que é que tem de Jorge e Mateus… Essa, para mim, ficou sendo a nossa música. E cada vez que ela toca, onde quer que eu esteja, eu penso em você e controlo as lágrimas. Porque eu tenho vontade de te ver e ouvir a sua voz todas as vezes.

A gente tinha as nossas próprias brincadeiras… Eu morria de vergonha com as coisas que você me dizia e dava língua, aí você dizia que ia morder a minha língua e eu sentia vontade de me esconder debaixo da cama, porque, Meu Deus, seu jeito de dizer isso mexia com o meu coração! E era incrível que enquanto nos falávamos eu sentia no meu estômago as borboletas que eu sempre ouvi as pessoas dizerem que existia, mas nunca tinha sentido de fato. Mas com você eu senti. Até hoje só as conheço porque você me apresentou a elas. Aquele friozinho na barriga eu só senti com você.

Lembro um dia que você me disse que não acreditava que tinha encontrado alguém como eu num site como aquele. Me senti tão especial, tão importante… Como se eu fosse boa demais para entrar num site tão medíocre. Lembro de ter pensado o mesmo sobre você. Porque eu não enxergava naquela época, mas eu sei que você tem um coração enorme, e que você é bom.

Aí o tempo foi passando e você se afastando cada vez mais, sempre cheio de desculpas sobre como estava ocupado. E então eu chorei porque eu estava errada. Não era eu quem ia machucar você, mas você que ia me machucar. Eu rezei errado para Deus. Você passou um mês sem me dar uma notícia sequer e eu tive tanto medo por você… Medo de nunca mais saber se você estava bem, medo de te perder.

Mas você voltou. E foi como se nada tivesse mudado. Um tempo depois você me mandou outra vez uma música, e eu quase me derreto quando ouço ela tocar. Darte un beso de Prince Royce. Mais uma música que ficou gravada em mim e que eu chamo de nossa.

Foi aí que eu comecei a mudar. Às vezes eu sentia que o sentimento de bem querer era só da minha parte. Eu não acredito que eu estivesse apaixonada, eu não sei direito o que é estar apaixonada, mas eu sentia por você um carinho muito grande, e eu posso dizer com certeza que isso não mudou.

Mas você continuou sempre com as mesmas desculpas, e isso me magoava mais do que você podia imaginar, e eu me sentia solitária outra vez, precisava de alguém que pudesse me amparar e foi então que eu percebi que eu estava vivendo em função de alguém e que sem esse alguém eu não vivia mais. Eu estava fazendo tudo o que eu critico na minha amiga, eu passava 24 horas do meu dia calculando que horas seriam onde você estava e se você já tinha acordado, de que horas tinha ido dormir e se iria demorar para falar comigo, e tinha dias que nem falava e eu me sentia um lixo!

Aí eu comecei a não me importar mais. E como a vida é um espelho, você começou a se importar demais. E aos poucos eu tentei me afastar, fazer com que você se esquecesse de mim da melhor forma, mas eu não conseguia, você estava sempre lá, cada vez mais atrás de mim. Foi então que eu percebi que eu ia precisar te magoar para que os dois saíssemos bem dessa história que não acaba nada bem.

E foi o que eu fiz. Eu te magoei. Eu te magoei porque eu queria te fazer bem, e queria sair bem. Me mantive afastada e cada vez que você me procurava eu sentia vontade de conversar com você, de responder às suas mensagens, de saber o que você tinha para me dizer. Mas eu me fiz de forte e apaguei cada uma das suas mensagens e deletei o seu número todas as vezes que recebi uma mensagem sua, para ter certeza de que eu não cairia em tentação e falaria com você. Tentando te proteger do monstro que eu sou. Porque eu tinha medo disso.

Eu já te contei sobre Caio, o garoto que me tornou essa pessoa dura. Eu enxerguei desde o primeiro momento que eu agi com você exatamente da mesma forma que ele agiu comigo, e eu me envergonho tanto disso! Tanto que você nunca vai poder imaginar.

Mas apesar de toda a vontade que eu tinha de falar com você, eu não falei porque eu achava que se eu voltasse a falar com você só pra satisfazer aos meus caprichos de superar a solidão que eu sinto, eu ia te magoar demais, e eu já tinha te magoado o suficiente por uma vida inteira.

Então eu decidi que eu ia procurar preencher o meu vazio com outras pessoas, para não precisar de você. E foi aí que eu conheci esse Tiago. Esse nome de novo. Você lembra? O primeiro menino por quem eu me apaixonei se chamava Thiago, mas eu o chamava de Gustavo para que ninguém soubesse de quem eu estava falando, e um dia sem querer eu chamei você de Thiago e você ficou irritado. Bom, surgiu esse Tiago na minha vida. Eu tentei ser durona com ele também, do jeito que eu fiz com quando conheci você. Tentei não dar a ele muito crédito, nem muita bola. Fui bem do tipo difícil. Também rezei para não me apaixonar por ele. Dessa vez, no entanto, eu não me arrependo. Mas só gostaria de te contar tudo sobre isso se não fosse através de um post num blog.

Então, bem, não quero me aprofundar tanto nessa história, porque essa história tem doído muito em mim. Só escrevi aqui os meus motivos para se afastar de você de um jeito que você pudesse entender que eu fiz isso achando que estava fazendo o melhor, quando na verdade eu só estava estragando tudo. Mas quando fez um ano que eu te conheci, e exatamente no dia que fazia um ano tinha o show de Roupa Nova, e nesse mesmo dia, indo para o show, tocou O que é que tem?, que é a nossa música, e o show aconteceu exatamente no lugar onde fica o Centro de Convenções… Bom, foram muitas coincidências para uma pessoa só. Não pude evitar.

Espero que um dia você me perdoe por todo o mal que eu te fiz, e que entenda nem que seja um pouco das coisas erradas que eu fiz. Quero que saiba que penso em você sempre, com muito carinho, e que cada um dos momentos que vivemos estará sempre guardado em mim. Você foi para mim alguém muito especial. Espero que Deus te faça muito, muito, muito feliz e saiba que estarei sempre rezando por você. Obrigada.

mmariah.

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